segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

À espera do terceiro tempo


 


Política é um assunto sobre o qual muitas vezes ainda não tenho uma opinião formada. Julgar partidos e mandatos é um desses casos, ainda mais quando se trata de Lula, uma figura tão complexa de se analisar. As únicas coisas em relação a ele sobre as quais estou certa: a popularidade e o oportunismo. De resto, deixo o vídeo falar por si só.

fonte: UOL

domingo, 2 de janeiro de 2011

"Nothing changes on New Year's day". Only if you don't want it to change.

Mais um ano chega ao fim, mais um ano começa.

Cada ano novo é esperado com um espírito generalizado de expectativa e mudança. O que mais se ouve são desejos e promessas de renovações no comportamento, na aparência, nos hábitos de saúde, enfim, no modo de viver. O que vemos, no entando, é uma outra realidade.

A mesmisse de cada ano começa na mídia, a qual é a principal fonte de votos de que um novo ano venha com diferentes perspectivas. Paradoxalmente, repetem todos os anos a mesma programação de fim de ano. Há quantos anos não passamos o Natal assistindo ao show do rei Roberto Carlos e o ano novo vendo os fogos de Copacabana no Show da Virada? Essa é a renovação que eles tanto querem que se promova em nossas vidas? Desejam uma coisa, transmitem outra.

Parece algo irrelevante, mas inconscientemente se reflete na vida das pessoas. Não é segredo o tamanho da influência da mídia e, principalmente, da televisão. Quem acaba e começa o ano esperando sempre pelas mesmas coisas, assistindo sempre às mesmas coisas, acaba formando uma mentalidade acostumada à repetição, à ideia de que cada ano se inicia sendo igual ao anterior. E cada ano pode ser ou não igual ao anterior. Depende de cada um de nós.

Por isso, que cada um faça do seu 2011 um ano melhor do que foi 2010. Um ano com mais paz, igualdade, solidariedade, amor. Amor. Que em 2011, amemos mais. Amemos mais a nossa família, os nossos amigos, os nossos colegas, e até aquele vizinho que a gente nem sabe o nome e encontra as vezes no elevador ou na porta de casa. E amar não é agir como melhores amigos de infância e dizer "te amo" pra esse vizinho sem nem conhecê-lo. É respeitar, é tratar bem, é vê-lo como alguém nem melhor, nem pior, mas igual a você, independente de cor, classe, sexo, aparência. Que saibamos praticar esse amor para com todos. Esse é o segredo para um novo ano diferenciado. Para um ano melhor. E não pular sete ondas na hora da virada.

Esses são os meus votos pra cada um em 2011. Tentarei não escrever sempre as mesmas coisas para que além de contraditória, eu não seja hipócrita.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Então é Natal...

O Natal se aproxima, e com ele começa toda a correria que vemos todos os anos. Todo mundo correndo pra comprar os presentes de última hora e as roupas que vão ser usadas, pra resolver os últimos detalhes das festas, das viagens, etc. E estas são as preocupações da grande maioria das pessoas nessa época do ano. As únicas preocupações. O consumismo, as comemorações. Mas poucas são as pessoas que se lembram do verdadeiro sentido, do que realmente importa.

O Natal não representa ceia, festa, presente. O Natal representa, pra quem crê, a vinda de Jesus, o salvador. Pra quem não crê, deveria significar pelo menos uma época pra repensarmos nossos atos perante a nossa sociedade, pra buscarmos melhorar a nós mesmos e ajudar as pessoas à nossa volta. Uma época tomada pela solidariedade, não pelo consumismo.

Por isso, o meu convite é que no dia de Natal, você pare um momento pra pensar, onde quer que você esteja, nas pessoas que não celebrarão o Natal com suas famílias, por qualquer que seja o motivo; nas que não tem condições de ter uma ceia, presentes, nem festa; nas que passarão o Natal nas ruas, com fome, ou mesmo nos lugares mais ricos, mas infelizes. E reze por elas. Se sua religião (ou a falta dela) não permitir uma oração, apenas veja tudo o que você tem e seja grato por isso. Esse convite não sou eu quem faço a você, mas Aquele que é maior do que eu, e que vem tão humildemente pedir abrigo no coração de cada um de nós não só no dia 25 de dezembro, mas a cada novo dia. Aceite esse convite ;)

Que Deus abençoe a todos. Feliz Natal e Ano Novo!

[Sim, se você está na minha lista de contatos do hotmail, você recebeu esse texto por email]

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O "último stalinista"

Depois de muito tempo sem postar, volto a escrever. Os motivos foram dois. Primeiro, falta de tempo, época de provas, etc, etc. Segundo, falta de inspiração mesmo.

Hoje, vendo notícias aleatórias, uma me chamou a atenção, como sempre. Diferentemente de todas as outras, porém, esta não me despertou críticas, mas sim admiração.

A notícia era sobre Oscar Niemeyer. Sim, o arquiteto comunista que projetou Brasília e a Pampulha. E sim, ele ainda está vivo. Prestes a completar 103 anos de idade, ele é o autor de uma nova criação, mas não arquitetônica. Dessa vez, sua obra foi musical. Um samba.

A própria figura do Niemeyer em si já me é admirável. Este seu último ato, no entanto, me surpreendeu de uma forma ainda maior, talvez pelo momento pelo qual estou passando. Tenho plena consciência de que devo decidir o meu futuro [profissionalmente e em alguns outros aspectos também] ainda durante essas férias. No auge da minha neurose, me deparo com este homem, que depois de uma brilhante carreira e de uma vida de mais de um século, se reinventa, se redescobre, encontra novas formas de por em prática seu trabalho e sua criatividade.

Se ele, a essa altura da vida, encontrou algo mais que lhe traz satisfação ao fazer, porque nós, jovens, nos cobramos tanto uma resposta imediata do que queremos da vida? Afinal, o que você quer hoje, pode não ser o que vai querer amanhã. Nós mudamos, a toda hora, todo minuto. Nossos desejos e sonhos vêm e vão. Não devemos nos prender a uma decisão como se ela fosse permanente, e sim nos adaptar a cada fase da nossa vida.

O que nos deixa inseguros é o mundo competitivo e cheio de dificuldades à nossa volta. Se não sentíssemos tanta pressão a respeito do nosso futuro, as escolhas seriam muito mais fáceis e flexíveis. Tamanha pressão deve-se à falta de oportunidades. Nos preocupamos tanto se teremos um bom emprego, se receberemos um bom salário, se seremos bem-sucedidos, que temos fixa na mente a idéia de que devemos ter desde cedo definido o que queremos ser. É este um dos grandes fatores causadores dos crescentes casos de depressão. A pessoa busca retorno financeiro, que julga ser o seu sucesso, em detrimento da satisfação pessoal. Da própria felicidade.

Finalizarei com uma frase do próprio Niemeyer, que descreve perfeitamente a única certeza que eu tenho do que eu quero para minha vida. Independentemente do que eu fizer [com certeza não será arquitetura], é isso que eu quero que meu trabalho seja:

"Não me sinto importante. Arquitetura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com otimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral."

domingo, 21 de novembro de 2010

Polêmicas da doutrina

Toda declaração de caráter religioso toma proporções polêmicas na mídia. Isso porque, em um mundo de culturas e crenças tão diversificadas como o nosso, sempre terá alguém que discorde, que distorça, que tente levar o que foi dito para um lado que te favoreça.

A declaração da vez foi do Papa Bento XVI, em relação ao uso da camisinha. Em uma série de entrevistas com um jornalista alemão que constituirão o livro Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os Sinais do Tempo, o pontífice declarou que o uso do preservativo é aceitável em "alguns casos", para prevenção da Aids.

A esse respeito, encontramos depoimentos e comentários de pessoas das mais diversas áreas. Os radicais de um lado dizem que o papa finalmente está "abrindo sua mente". Os do outro lado, criticam-no por defender algo até então fortemente condenado pela Igreja.

Diante disso, ficam as questões: Estaria o Papa mudando sua mente ultraconservadora? Ou esse posicionamento pode ser considerado uma afronta à doutrina católica?

Os motivos para o Papa dar tal declaração não são muito difíceis de se enxergar, quando se têm um mínimo de conhecimento sobre os dogmas da Igreja. Na realidade, só é necessário saber a base da fé cristã: propagar o amor e defender a vida. É condenado pela Igreja tudo que não tem como motivação o amor e que seja prejudicial à vida, dom de Deus, sobre o qual só Ele tem o poder. Assim, se a camisinha é usada com o intuito de defender a vida, e não de impedir novas vidas de serem formadas, é um caso em que o seu uso é aceitável, como disse o pontífice. E, novamente segundo ele, isso não significa que o ato desenfreado da sexualidade seja justificado, pelo contrário. Seu uso nesse caso apenas a torna mais banalizada. Mas no sentido de proteger a vida do outro, é um grande passo para uma "humanização da sexualidade".

Nada de revolucionário, nada contra os ensinamentos da Igreja. Portanto, não supervalorizemos tudo o que a mídia nos traz, pois não há nada que o badalado pontífice diga que não seja divulgado em dimensões muito maiores do que deveria ser.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Analogia

É curioso, o futebol. Um esporte que tomou tamanha dimensão na vida do povo que hoje age como ferramenta de inclusão, sendo praticado e/ou amado por todas as classes, cores, idades, e até por ambos os sexos. É talvez o campo (literalmente ou não) onde encontramos menos discriminação.

O que mais me intriga, porém, é a funcionalidade do futebol. É a relação esporte-torcedor. O torcedor é mais que um mero espectador do que acontece no mundo futebolístico. Pelo contrário, é parte ativa. Entende, conhece, sabe, cobra. Entende o jogo, as regras, até mesmo a política por trás do esporte. Conhece cada posição, cada jogador, cada time, cada árbitro, cada técnico. Sabe a função de cada personagem, dentro e fora de campo: do atacante, do goleiro, do zagueiro, dos juízes, do técnico, dos presidentes. Sabe o que cada um deve fazer, e sempre sabe se estão cumprindo devidamente as suas tarefas. Sabe tudo o que acontece, todas as negociações feitas, todos os jogos ganhos, perdidos ou empatados. Sabe a situação do time. E cobra. Cobra as vitórias, os títulos. Cobra resultados.

E o esporte retribui. Ou melhor, os times retribuem. Seu objetivo é, além de conquistar os títulos, e eu diria que principalmente, satisfazer o torcedor. Para isso, trabalham suas técnicas, preparam os jogadores, gastam milhões em contratações, renovam a equipe, mudam os técnicos. Tudo para que o time consiga resultados, conquiste vitórias, e satisfaça aquele para quem tudo é feito.

Podemos dizer, infelizmente, que a funcionalidade do futebol em nada se aplica à realidade do nosso país. Exceto por um aspecto: enquanto um único time ganha, todos os outros saem perdendo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mundo elitizado

Devo retirar o que eu disse em uma das postagens anteriores. Há muita gente nesse país que ainda se preocupa com a nossa educação.

Na tarde de hoje, um grupo de cerca de 300 estudantes se reuniu na frente do MASP, em São Paulo, e seguiu pela avenida Paulista até a rua da Consolação em protesto. A mobilização foi contra a elitização da educação, segundo o site do Estado de São Paulo.

Paremos pra pensar um pouco: o que hoje não é elitizado? O que hoje é igual para todos? Em que quem tem dinheiro não tem vantagem sobre quem não tem, ou tem menos? Educação, saúde, alimentação, moradia, transporte, lazer. Todas as necessidades básicas de uma pessoa são comercializadas como quaisquer mercadorias, sendo seus fins o lucro, e não o bem-estar da população. Não que o dinheiro não possa proporcionar melhores escolas, alimentos, etc. Mas o básico é direito de todos. E nem o básico é oferecido a quem não tem como pagar.

Assim, vemos o preço do que é de qualidade aumentar cada vez mais. Em contrapartida, não temos uma melhora da condição financeira da população. Em 2008, 90% da população tinha um rendimento menor que cinco salários mínimos (de acordo com o IBGE). Isso significa que apenas um décimo da população tinha renda suficiente para pagar por escola particular, convênio médico ou consultas e hospitais particulares, e tudo aquilo mais que lhe é necessário. Essa distribuição não seria tão injusta, se não fosse preciso pagar para se ter o que é dever do Estado oferecer.

Não, não sou socialista. Não quero uma sociedade igualitária. O que defendo é uma sociedade justa, a qual ainda estamos muito longe de alcançar. Difícil, porém não inalcançável. Em um mundo cada vez mais injusto, devem partir de nós atitudes, mesmo que pequenas, para mudá-lo.