terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O "último stalinista"

Depois de muito tempo sem postar, volto a escrever. Os motivos foram dois. Primeiro, falta de tempo, época de provas, etc, etc. Segundo, falta de inspiração mesmo.

Hoje, vendo notícias aleatórias, uma me chamou a atenção, como sempre. Diferentemente de todas as outras, porém, esta não me despertou críticas, mas sim admiração.

A notícia era sobre Oscar Niemeyer. Sim, o arquiteto comunista que projetou Brasília e a Pampulha. E sim, ele ainda está vivo. Prestes a completar 103 anos de idade, ele é o autor de uma nova criação, mas não arquitetônica. Dessa vez, sua obra foi musical. Um samba.

A própria figura do Niemeyer em si já me é admirável. Este seu último ato, no entanto, me surpreendeu de uma forma ainda maior, talvez pelo momento pelo qual estou passando. Tenho plena consciência de que devo decidir o meu futuro [profissionalmente e em alguns outros aspectos também] ainda durante essas férias. No auge da minha neurose, me deparo com este homem, que depois de uma brilhante carreira e de uma vida de mais de um século, se reinventa, se redescobre, encontra novas formas de por em prática seu trabalho e sua criatividade.

Se ele, a essa altura da vida, encontrou algo mais que lhe traz satisfação ao fazer, porque nós, jovens, nos cobramos tanto uma resposta imediata do que queremos da vida? Afinal, o que você quer hoje, pode não ser o que vai querer amanhã. Nós mudamos, a toda hora, todo minuto. Nossos desejos e sonhos vêm e vão. Não devemos nos prender a uma decisão como se ela fosse permanente, e sim nos adaptar a cada fase da nossa vida.

O que nos deixa inseguros é o mundo competitivo e cheio de dificuldades à nossa volta. Se não sentíssemos tanta pressão a respeito do nosso futuro, as escolhas seriam muito mais fáceis e flexíveis. Tamanha pressão deve-se à falta de oportunidades. Nos preocupamos tanto se teremos um bom emprego, se receberemos um bom salário, se seremos bem-sucedidos, que temos fixa na mente a idéia de que devemos ter desde cedo definido o que queremos ser. É este um dos grandes fatores causadores dos crescentes casos de depressão. A pessoa busca retorno financeiro, que julga ser o seu sucesso, em detrimento da satisfação pessoal. Da própria felicidade.

Finalizarei com uma frase do próprio Niemeyer, que descreve perfeitamente a única certeza que eu tenho do que eu quero para minha vida. Independentemente do que eu fizer [com certeza não será arquitetura], é isso que eu quero que meu trabalho seja:

"Não me sinto importante. Arquitetura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com otimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral."

Um comentário: