... o assunto mais comentado do dia de hoje, com certeza: Enem.
O Enem 2010 tinha uma “responsabilidade” ainda maior que o dos outros anos. Além de substituir o vestibular das universidades federais, selecionando os melhores candidatos para a segunda fase ou, em alguns casos, até diretamente para as vagas dos cursos, também tinha a missão de devolver ao exame a credibilidade perdida com os escândalos a ele envolvidos no ano passado.
As provas não vazaram como aconteceu em 2009, mas erros de impressão das provas, desde provas incompletas até informações trocadas nos gabaritos, desencadearam novamente uma revolta generalizada contra a sua organização – ou a falta dela.
Vemos aí dois típicos exemplos que caracterizam o nosso país e o nosso povo. De um lado, temos a má realização feita pelo MEC e pelo Inep. Os erros, facilmente evitáveis, só podem ser considerados resultado de negligência por parte do ministério e do instituto, que pelos fatos ocorridos no último ano deveriam ter dado uma maior atenção às provas de 2010, falhando assim na missão de recuperar a sua credibilidade. Além dos erros, percebemos a quantas anda a educação no nosso país. As questões, em sua maioria, não exigiam conhecimentos complexos de ensino médio, o que é compreensível. Baixando o nível da avaliação, o desempenho das escolas torna-se satisfatório, elevando o índice que mais prejudica o IDH do país, o da educação.
Por outro lado, temos a reação das pessoas a mais uma falha. Brasileiro que é brasileiro adora reclamar. Se a prova estava fácil, estava fácil demais. Se estava difícil, estava impossível. A dificuldade da prova não influencia os resultados. Influenciaria se o objetivo do participante fosse a competição consigo mesmo; fosse se superar. Mas não é. Quem faz o Enem, quer competir com o outro, superar o outro. Não estamos interessados se a nossa nota é alta ou baixa, e sim se é suficientemente alta para ser maior que a dos nossos concorrentes. Sendo assim, a prova estar mais fácil ou mais difícil não afeta nossos objetivos, o que não nos dá razões para reclamar. Já os erros são motivos de indignação, mas essa indignação toma proporções desnecessárias. Quem foi prejudicado, fará uma nova prova. Qual a necessidade de todos os restantes também fazerem? Um fim de semana de provas já é cansativo o suficiente.
No fim de toda essa polêmica, não podemos nem dizer que estamos surpresos. Surpresos ficaríamos se tudo acontecesse sem imprevistos ou sem dar o que falar. Esperemos agora que os prejudicados sejam devidamente recompensados, sem mais prejuízos a ninguém.
É...não é possível negar a revolta. Ainda mais depois do que foi o ano passado. Mas o principal é que o final seja justo e ninguém saia prejudicado. O complicado disso é julgar o que seria justo...
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