sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Quando o Irã censura... tudo.

Imagine um país onde a proximidade com alguém do outro sexo, que não seu parente ou cônjuge, pode lhe levar à prisão. Um país onde todo e qualquer livro, para ser publicado, primeiro passa por uma minuciosa verificação de funcionários do governo, em busca de palavras sexualmente insinuantes ou politicamente revolucionárias. Um país onde homens e mulheres tem horários determinados para andar nas calçadas do lado direito ou esquerdo da rua, a fim de permanecerem separados.
Imagine isto, e terá o Irã em sua mente.

A realidade iraniana é complexa e curiosa. É difícil imaginarmos uma situação tão diferente da nossa. Desde as roupas até os programas de televisão, nada condiz com aquilo que vemos no nosso dia a dia.

O que torna a vida dos iranianos aparentemente complicada é a política religiosa. Após a Revolução Islâmica, que encerrou um sistema monárquico de 2500 anos, o novo governo foi estabelecido baseado no Corão, o livro sagrado islâmico. Esse é o fundamento de tão rigorosas regras.

O rigor começa na questão pecaminosa. É proibido ou censurado tudo que possa levar alguém a pecar, até mesmo em pensamento. Portanto, mulheres não podem permanecer sozinhas com homens que não forem seus maridos ou parentes, pois este relacionamento pode levar ambos ao pecado. Para isso, o governo tem patrulhas para circular nas ruas e repreender pessoas pegas "no flagra". Palavras, frases e até livros inteiros que deixam um sentido sexual implícito ou explícito não podem ser publicados, cenas de filmes em que mulheres aparecem com os braços e cabelos a mostra devem ser cortadas, tarefas para as quais o governo também tem seus responsáveis por fiscalizar.

A censura também se aplica a manifestações contra o governo e a favor dos Estados Unidos. Vemos isso claramente na falta de McDonald's no país. Quer sinal mais anti-americano do que este? Quanto ao governo, até mesmo o nome dos seus filhos pode lhe ser negado se remeteram a antigos monarcas, o que indicaria a sua contrariedade ao regime vigente.

Então você me pergunta: Aonde você quer chegar com tudo isso?
E eu lhe respondo: Leia um livro. Leia um BOM livro.

Tudo o que escrevi acima, aprendi com a leitura das primeiras 94 páginas do livro Quando o Irã censura uma história de amor, e um pouco de pesquisa apenas para complementar. O romance nos mostra um pouco dessa cultura iraniana, enquanto conta a história de amor de Sara e Dara. Fica a dica pra quem procura uma literatura um pouco mais rica do que aquela que temos encontrado ultimamente na lista dos mais vendidos.

Um comentário:

  1. Não tente entender a cultura alheia, eles não entenderiam a nossa! Ajoelhar-se perante um instrumento de tortura pra rezar também pode parecer estranho se mal interpretado!

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